Sub polos da Região Metropolitana
Ontem, num almoço da comunidade Maturidade em Sampa, conversando com duas amigas (até então virtuais e tornadas reais), a Sandra da Penha e a Vera SP de São Caetano, emergiram algumas questões interessantes em relação aos sub-polos ou centro regionais da metrópole.
Tanto uma como outra surgiram como centros "provinciais" distantes do centro (da capital ou cidade) com uma dinâmica e vida própria, até que a expansão urbana as integrou num "continuum" da região metropolitana.
Do ponto de vista institucional, a Penha pertence ao município da capital e tem uma sub-prefeitura. São Caetano do Sul é um municipio a parte, portanto, com Prefeito e Câmara de Vereadores próprios.
O que muda isso para os moradores? É melhor pertencer a um Município grande (que ademais é a capital) ou a um Município independente?
Ambas caminharam para ser uma cidade dormitório, pois os empregos locais não são suficientes para dar trabalho a todos. São Caetano tem um diferencial: é uma cidade dormitório de classe média, e sem uma periferia pobre: essa está em outros municípios, como Heliópolis em São Paulo e em Santo André.
No entanto, as chuvas não reconhecem as diferenças institucionais e em janeiro o alagamento na divisa atingiu tanto São Paulo como São Caetano. De quem é responsabilidade para resolver o problema?
São Caetano, por ter um território diminuto, tomado por uma classe média, tem estatísticas favoráeis, o que a coloca entre as melhores nos índices de desenvolvimento humano ou social. Mas os seus moradores não parecem satisfeitos com essa "ficção estatística", comprado com os seus vizinhos.
Já se disse que a temperatura média confortável do corpo pode ser obtida com a cabeça na geladeira e os pés no forno. Os polos vizinhos de São Caetano, como Santo André, tem um centro mais desenvolvido e uma periferia pobre, com favelas. São Bernardo do Campo tem uma desigualdade ainda maior (pelo menos aparente).
São Caetano tem uma média melhor que seus vizinhos, mas pode estar muito próxima de uma igualdade medíocre. Pelo menos é o que transparece das reclamações de seus moradores.
Escrito por Jorge Hori às 05h25
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Hospitais fora do Centro
Num comentário anterior referi-me à descentralização dos consultórios médicos e odontológicos do centro de São Paulo, porém uma das características no setor médico é a ausência de grandes hospitais na "cidade".
Os mais antigos de porte, já foram instaladas na "periferia" do centro tradicional: a Santa Casa da Misericórdia na Vila Buarque, à caminho de Higienópólis. Nos limites do bairro, na parte alta, já ocupando a descida do morro, em direção ao rio Pacaembu, foi instalado o Hospital Samaritano.
O pólo médico talvez tenha sido pioneiro na ocupação por serviços da área da Paulista. Lá se instalaram o Hospital Matarazzo, na região da Itapeva, e o Sírio-Libanês no morro ao lado da várzea do Saracura, agora Avenida Nove de Julho.
Um pouco mais modernos são a Maternidade São Paulo e a Pró-Matre, onde nasceu grande parte da elite e da classe média paulistana das gerações hoje acima de 40 anos.
A elite e classe média paulistana não nasceram no centro.
Ainda na região da Paulista, na sua extensão em direção à Praça Oswaldo Cruz, foram instalados o Hospital Santa Catarina e o Hospital Alemão (hoje Oswaldo Cruz). Descendo o morro, o Beneficiência Portuguesa. Na sequencia da Paulista, o Instituto de Cardiologia.
O complexo do Hospital das Clínicas, na mesma região, completa o corredor, adensado por outros estabelecimentos hospitalares, como o Nove de Julho.
A maior descentralização veio a ocorrer com a instalação do Hospital Albert Einstein no Morumbi e, mais recentemente, com a instalação do Hospital São Luiz, no mesmo bairro, no edifício construido para abrigar um Centro Cardiológico, da Unicor.
O polo hospitalar só ajudou a descentralização dos consultórios, mas não foi responsável nem pela etapa de crescimento / desenvolvimento, como também pela decadência.
Escrito por Jorge Hori às 07h52
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Trabalho em Rede
Uma das novas formas de organização do trabalho é o das células domiciliares de produção, viáveis, por exemplo, para confecção sob o regime de facção.
Existe na prática, mas é condenada como sendo clandestina e informal. É considerada uma concorrência deseal ao sistema formal. Ela precisa ser comparada com a concorrência chinesa.
Quero colocar aqui apenas a dimensão da mobilidade.
Para trabalhar o trabalhador sai da sua casa, vai até o local de trabalho e depois retorna para casa. Os mais pobres tem que buscar a moradia em locais mais distantes dos centros de trabalho, onde o preço do terreno é menor e só tem a opção de utilização do transporte coletivo.
Os locais onde há concentração de trabalho sempre tem os terrenos (relativamente) mais caros. Quando uma família se muda para um local distante em função do preço do terreno e ele se valoriza, pela formação dos centros de serviço ou emprego, uma parte é deslocada por aqueles que tem um pouco mais de renda. Esses compram as casas (ou as alugam, pagando mais) e as família de menores posses saem para locais mais distantes. Esse é o processo que explica o espraiamento da pobreza numa cidade, principalmente em regiões metropolitanas.
Dai os mais pobres, quando conseguem um emprego, dedicarem do seu dia, cerca de 9 horas para o trabalho (incluindo o intervalo para almoço) e mais 4 horas com o deslocamento casa - trabalho - casa.
Ou seja, o(a) trabalhador(a) dedica entre 12 a 14 horas do seu tempo para o trabalho, sendo que de 4 a 5 horas são improdutivas. Se essas forem produtivas, aumenta a produtividade e aumenta a renda.
Se ingressam com essas horas no sistema formal, os custos para os empregadores aumentam, pois incidem em horas-extras.
O novo modelo é de transformação dessas horas improdutivas em produtivas, substituindo as horas de deslocamento por horas de produção.
Como? Simplesmente trabalhando em casa, ou na vizinhança.
O sistema envolve a organização de uma unidade de comercialização que faz as vendas e as compras e faz a distribuição do material para as costureiras e, posteriormente, faz a coleta do material produzido.
Substitui a movimentação de pessoas pela movimentação de bens.
Escrito por Jorge Hori às 16h26
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O Especulador Imobiliário
Nesta aventura que me envolvi de tentar entender as transformações ocorridas nesta cidade, duas são as preocupações, que não são facilimente encontráveis em todas as outras análises: uma, porque ocorreu em determinado local e não em outro? A outra: quem foram os empreendedores que construiram e transformaram essa cidade?
Essa figura, sempre escondida é odiada pelos arquitetos e urbanistas. Eles como os principais descritores da evolução da cidade, omitem os seus nomes. Apenas um deles não fica no anonimato, porque enfrentou os arquitetos. João Artacho Jurado, um empresário imobiliário (para os críticos empresario imobiliário é sofisma de especulador imobiliário),que - sem ser arquiteto - projetava os seus edifícios, com elementos diferenciados e chamativos. No centro da cidade tem a sua marca no eixo São Luiz, com o Louvre, e nos viadutos (Viaduto), na confluência do Viaduto Jaceguai com a Santo Antonio. Tinha uma construtora (a Monções) e tem uma grande importancia na configuração do centro e bairros próximos (Higienópolis).
Outro empresário (ou especulador) foi Orozimbo Roxo Loureiro, que chamou Oscar Niemayer para projetar, primeiramente o Edifício Eiffel, que fica no final da Praça da República, atrás da Escola Caetano de Campos (atualmente Secretaria da Educação) e o COPAN. Dono do Banco Nacional Imobiliário e da Companhia Nacional Imobiliária, foi um dos principais empreendedores da fase de modernização do centro. As suas companhias acabaram sendo incorporados pelo Bradesco.
Na Avenida São Luiz, onde se concentrou a edificação de prédios de apartamentos modernos, substituindo os antigos casarões que ocuparam a divisão da chácara do Senador Souza Queiroz, alguns nomes dos edifícios denunciam o proprietário ou empreendedor: Edifício Conde Silvio Penteado, Edifício Moreira Salles (então Banco Moreira Salles, hoje Unibanco), Edifício Comandante Lineu Gomes (um empresário da aviação civil - Aerovias Brasil e Real), Edifício Renata Sampaio Ferreira (da família então proprietária da Bom Bril), e o Conjunto Zarvos.
Escrito por Jorge Hori às 10h52
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A Mudança dos Médicos
Uma das atividades que atraia a classe média e a elite ao centro eram os consultórios médicos e odontológicos.
Os mais pobres não tinham recursos para pagar as consultas (apesar de ainda eram módicas, comparadas aos preços atuais) e tinham que se valer dos postos de saúde, que foram se descentralizando. Não havia ainda os planos de saúde, e pessoas da classe média pegavam o bonde, e depois os ônibus, para uma consulta médica ou para um tratamento odontológico.
Não havia um polo explícito, mas a região além viaduto, particularmente a rua Marconi, abrigava vários consultórios.
A ocupação imobiliária da Avenida Paulista, iniciada (ou reforçada) pelos bancos, gerou a transferência dos consultórios, com uma concentração na rua Itapeva. Essa concentração pode ser explicada, originalmente, pela proximidade ao Hospital Matarazzo. Outros polos menores surgiram, próximos aos grandes hospitais, como na região da Beneficiência Portuguesa.
O lançamento de um empreendimento imobiliário exclusivo para consultórios na rua Itapeva atendeu a uma necessidade que os médicos e dentistas já percebiam, em função do congestionamento na área central. Como o mercado imobiliário é fortemente movido pelo mimetismo (ou efeito manada) o sucesso do primeiro empreendimento levou ao lançamento de outros, gerando o polo, que promoveu ou acelerou a saída desses profissionais do centro da cidade.
O novo modelo passou a ser de edifícios dedicados a consultórios, que se espalharam pela cidade, sempre polarizado por um grande hospital, esvaziando inteiramente o centro tradicional. Na sua periferia, a Santa Casa de Misericórdia, teve algum poder de atração.
Terá o centro tradicional capacidade de reverter esse processo, fazendo retornar médicos e dentistas para instalarem os seus consultorios na cidade?
Haverá algum empreendedor imobiliário interessado em fazer um "retrofit" de algum prédio para abrigar só consultórios?
Que médicos se interessariam em ter o consultório no centro? Seriam os jovens, os iniciantes de carreira?
As dificuldades de trânsito e estacionamento seriam uma restrição à instalação dos consultórios?
Escrito por Jorge Hori às 06h56
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Gastronomia na Revitalização do Centro de São Paulo
Uma das condições essenciais para a revitaliação do centro está na dinamização da sua vida noturna. Ao ficar vazio e morto, à noite, com o comércio e os escritório fechados, estará sempre sujeito a uma ocupação indesejada.
A vida noturna é movimentada pelas casas de entretenimento (teatro, cinema, etc.) pelos restaurantes com jantares (que fecham mais cedo), os bares, que podem ir até a madrugada e os salões de festas (também até o sol raiar).
O que dessas atividades resistiu, o que pode ser renovado, o que pode ser criado?
Restaurantes
No centro mais tradicional, praticamente não há sobreviventes de casas de comida abertas à noite. Haviam as leiterias, que desapareceram. O Hotel Othon é uma exceção.
Passando o Viaduto do Chá, ainda sobrevive o Terraço Itália - como um ponto isolado - e na Avenida São Luiz o Hotel Eldorado. Mais adiante o Largo do Arouche.
Em outra direção a Avanhandava, com o Giggeto e a Famiglia Mancini (que está promovendo uma retomada), tendo no meio o renovado Hotel Jaraguá.
É difícil a criação de novos pólos, sendo mais viável a renovação de áreas, como a daAvenida São Luiz, Martins Fontes, Avanhandava, Praça Roosevelt e Ipiranga. Ou o Largo do Arouche, revalorizando a Vieira de Carvalho.
Um polo gerador é o Teatro Municipal, mas a renovação da gastronomia noturna requer uma interação com outras casas de espetáculos: cinemas, teatros e outros.
O acesso a esses polos terá que ser feita de carro. O coletivo são será o comum. Poderá haver um serviço de vans.
A renovação da gastronomia noturna no centro dependerá dos "com renda". Sem a aceitação dessa condição, ditada pelo mercado, não há possibilidade de revitalização ou requalificação.
Requalificação significa um "up-grade" de renda, e é preciso gerar condições para que os "com renda" sejam atraídos.
Com ilusões de "universalização de acesso", processos includentes não há renovação.
Revitalização significa a retomada pela elite da antiga cidade.
Infelizmente essa é a realidade.
Bares
A "cidade", foi o grande centro da boemia (figura em extinção) com os seus bares e botecos. Poucos resistiram, e mesmo com idas e vindas ainda estão na ativa como o Brahma.
Um dos grandes redutos foi a Galeria Metrópole, um empreendimento da fase de modernização do centro, com projeto - selecionado em concurso - de dois dos melhores arquitetos no Brasil (porque não originalmente brasileiros): Gian Carlo Gasperini e Salvador Cândia.
As galerias antecedem os shopping center e não foi acaso que Alfredo Mathias implantou a primeira moderna galeria, denominada Grandes Galerias, hoje conhecida como a Galeria do Rock.
E Gasperini mais a frente foi projetar o Shopping Center Iguatemi, o primeiro deles, e empreendido por Alfredo Mathias. Se a Galeria Metrópole pode ser considerado um marco da modernização do centro (talvez o último suspiro da modernização) o Shopping Iguatemi marca a saída definitiva do comércio "chique" do centro, que já estava - em grande parte - na rua Augusta.
A galeria Metrópole abrigou o Jogral, do Luiz Carlos Paraná, que se tornou o "point" da bossa nova paulista.
Terá a Galeria Metrópole condições de retomar o seu papel de centro boêmio? Onde poderá se instalar o pólo dos bares que venha a concorrer com a Vila Madalena ou a Vila Olímpia?
Escrito por Jorge Hori às 04h48
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Calçadões ou Não
É inegável o fato de que os calçadões contribuiram para acelerar a degradação do centro, com a retirada das sedes dos bancos e de outras grandes empresas. A elite, sem acesso de carro ao centro, buscou outras localidades. E, agora, dificilmente voltará.
O Prefeito José Serrá anunciou a disposição de abrir alguns calçadões e retornar o tráfego de carros.
É uma medida polêmica, mas para a qual a pergunta básica é: isso trará a elite de volta para o centro? Que parte dela voltará?
Escrito por Jorge Hori às 06h13
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